O direito das comunidades europeias: rumo a uma eventual constitucionalização?
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2002-12
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Portuguese
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INTRODUÇÃO
O presente trabalho é produto de uma investigação,
levada a cabo durante os últimos
anos, sobre a análise de problemas constitucionais
resultantes da integração na Comunidade
Europeia. Estamos convictos de que se trata de um t
rabalho que, por certo, gerará múltiplas
divergências uma vez que é um tema recente e ainda
não suficientemente elaborado pela
doutrina. Muitas dessas divergências foram vividas
pela autora destas páginas e como tal
poucas certezas poderá oferecer. No entanto, a esca
ssa elaboração do tema e a riqueza
dialéctica que encerra animaram a realização deste
trabalho com o objectivo de gerar um certo
debate. Nele não se pretende fazer um tratamento ex
austivo de cada um dos elementos
abordados, mas apenas pôr em evidência a sua existê
ncia, salientando os aspectos mais
relevantes ou problemáticos. Desde há várias década
s, mas sobretudo a partir da aprovação do
Tratado de Maastricht, em 1992, que o debate em tor
no da União Europeia, tem vindo a
desenrolar-se num cenário nitidamente político-cons
titucional, este debate parece pouco de
acordo com o facto de não existir ainda uma Constit
uição Europeia formalizada e por outro
lado, com a inserção das Comunidades Europeias na c
ategoria das organizações
internacionais (incluindo as de integração). Esta d
iscordância, no campo científico, tem sido
mitigada pelo surgimento de uma nova disciplina jur
ídica que é o Direito Comunitário.
A efervescência das questões relacionadas com a int
egração europeia, aliada às
sugestões feitas pelo Professor Doutor Joaquim da S
ilva Cunha, nosso ilustre orientador, e ao
nosso interesse desde há vários anos pelos temas eu
ropeus e constitucionais, levaram-nos a
iniciar esta investigação que culmina hoje nesta di
ssertação.
Existem diferentes níveis quanto à intensidade e pr
ofundidade da integração na União
Europeia, no entanto, a nossa pretensão foi a de an
alisar o percurso dessa integração, cujo
objectivo final é alcançar a união política, e a qu
estão que formulámos inicialmente foi a de
saber se essa integração não levará à existência de
uma Constituição europeia, mas mais
precisamente se não se encontram já elementos da me
sma, no caminho até agora percorrido.
Este trabalho está estruturado em várias partes. Na
primeira iniciaremos uma análise
da relação existente entre o Direito Internacional
e o Direito interno dos Estados, e para
alcançar esta meta faremos uma exposição que aborda
rá as diversas posições doutrinárias
Introdução
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dominantes, assim como as questões da aplicabilidad
e directa das normas de Direito
Internacional e da hierarquia das mesmas face ao Di
reito estadual. Nesta análise iremos
considerar não só a posição do ponto de vista inter
nacional, como do ponto de vista do direito
comparado e finalmente do ponto de vista da actual
Constituição da República Portuguesa.
Na segunda parte trataremos a relação entre o Direi
to Comunitário e o Direito interno,
abordando também as questões da aplicabilidade e da
hierarquia, não só numa perspectiva
doutrinária e de direito comparado mas também juris
prudencial e terminando com a
abordagem constitucional.
Na terceira parte iremos então estudar o percurso d
a integração nas Comunidades
começando por ver o que se pretendia e o que já se
atingiu. De seguida iremos analisar se a
soberania dos Estados não é posta em causa por aque
le processo de integração. Exporemos
também os vários modelos de organização política (f
ederalismo, confederação e organização
internacional), dentro destes tipos tentaremos entã
o apurar que natureza assumem, hoje em
dia, as Comunidades Europeias, se de organização in
ternacional, ou se estão a caminho da
confederação ou federação.
Na quarta parte veremos o que se entende por Consti
tuição, os seus sentidos possíveis,
quais os elementos constitucionais essenciais, se j
á existem no seio do Direito Comunitário, e
como tal se poderemos falar na existência de uma Co
nstituição Europeia ou apenas em
Constituição em sentido material, com base na exist
ência de alguns elementos constitucionais
dispersos pelas várias fontes de Direito Comunitári
o. Por último terminar-se-á com a
referência às Conclusões.
Queremos também apresentar as nossas desculpas pela
s imperfeições e deficiências
deste trabalho, que é fruto de cinco anos de uma in
vestigação que pretendemos sempre que
fosse rigorosa e que muito contribuiu para o nosso
enriquecimento intelectual.
Keywords
Direito internacional, Direito comunitário, Direito interno, Elementos constitucionais
Document Type
Doctoral thesis
Publisher Version
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Citation
Magalhães, M.D.M. (2002). O direito das comunidades europeias: rumo a uma eventual constitucionalização? (Tese de doutoramento), Universidade Portucalense, Portugal. Disponível no Repositório UPT, http://hdl.handle.net/11328/636.
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TID
Designation
Access Type
Open Access
Sponsorship
Orientação: Professor Doutor J. da Silva Cunha.