Podem as razões subjacentes a uma acção ser as causas (eficientes) dessa Acção? O labirinto do Descontínuo: Gramática, Fenomenologia e ontologia da Acção

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2011

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Razões e causas tipificam duas gramáticas ou jogos de linguagem que tendem para a inco‑ mensurabilidade. Estas gramáticas instituem uma discriminação qualitativa entre a auto‑efi‑ cácia de se ser alguém e a eficácia simétrica, impessoal, de se ser algo. As razões podem comportar‑se como causas, embora seja profundamente absurdo interpretar razões como causas e vice‑versa. Contudo, para que as razões possam assumir tal eficiência causal, é necessário admitir vários postulados: primeiro, uma ontologia monista assegurando a comu‑ nicação de eficiência dinâmica entre duas cadeias de fenómenos, ou seja, a série de repre‑ sentações intencionais e a série de movimentos corporais, que implicaria a coexistência entre uma homogeneidade ontológica profunda e uma aparente heterogeneidade superficial; segundo, uma fenomenologia auto‑vigilante, capaz de reconhecer a peculiaridade do “Eu sinto” que deve poder acompanhar o “meu agir” e o “meu fazer acontecer”, ainda que acei‑ tando a validade de uma incerteza metafísica invencível. A exploração das relações entre razões e causas ilustrará o modo como a subjectividade emerge sob o signo de um processo unificador – mas instável – de construção de sentido.
Reasons and causes typify two language games or grammars tending to incommensurability. These grammars institute a qualitative discrimination between the self‑efficacy of being someone and the symmetric, selfless, efficacy of being something. Reasons can behave as causes, although it is fully absurd to interpret reasons as causes and vice‑versa. Yet, in order for reasons to possess causal efficacy, one must assume: first, a monist ontology warranting the communication of dynamic efficiency between two chains of phenomena, that is to say, the chain of intentional representations and that of body movements so that a deep ontological homogeneity may coexist with a surface heterogeneity; second, a self‑alert phenomenology which recognizes the peculiar “I feel” that must be able to accompany “my acting” and “my making happen”, while acknowledging, however, the validity of an invincible metaphysical uncertainty. On exploring the relationships between reasons and causes selfhood emerges here as an unstable but unifying process of meaning‑construction.

Keywords

Acção, Identidade narrativa, Liberdade, Subjectividade, Wittgenstein, Agency, Freedom, Narrative identity, Selfhood

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Jesus, P. (2011). Podem as razões subjacentes a uma acção ser as causas (eficientes) dessa Acção? O labirinto do Descontínuo: Gramática, Fenomenologia e ontologia da Acção. Revista Portuguesa de Filosofia, 67(1), 131-154.

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