Entre a segurança e a liberdade: A introdução do perfil de ADN do condenado na base de dados
dc.contributor.author | Guimarães, Ana Paula | |
dc.date.accessioned | 2021-01-05T16:31:12Z | |
dc.date.available | 2021-01-05T16:31:12Z | |
dc.date.issued | 2020 | |
dc.description.abstract | A ciência é, indiscutivelmente, uma ferramenta da maior valia em vários aspectos da vida da sociedade, em geral, e dos indivíduos, em particular. Agora, em contexto de pandemia, as expectativas do mundo pairam sobre o conhecimento científico em busca de uma solução eficaz. Os instrumentos científicos serviram e continuam a servir muitas outras finalidades, entre elas, a descoberta da verdade em matéria criminal probatória. A Lei n.º 5/2008, de 12 de Fevereiro, aprovou a criação de uma base de dados de perfis de ADN, tanto para fins de identificação civil, como para fins de investigação criminal. Uma das questões mais debatidas centrou-se na discussão sobre a obrigatoriedade ou não obrigatoriedade, em caso de condenação pela prática de crime doloso em pena de prisão igual ou superior a três anos, de o tribunal ordenar, por despacho autónomo proferido após trânsito em julgado da decisão, a recolha de amostra do condenado (caso ainda não tivesse sido extraída anteriormente durante o procedimento criminal), para fins de inserção do seu perfil de ADN na base de dados, conforme o inicialmente previsto no n.º 2, do artigo 8.º da correspondente Lei. De igual modo no que respeita à declaração de inimputabilidade, quando ao arguido é aplicada uma medida de segurança (n.º 3 do normativo). A doutrina pronunciou-se e a jurisprudência também tomou posição neste debate. Não foi encontrada unanimidade nas posições adoptadas: uns pugnaram pela não automaticidade da determinação judicial, enquanto outros defenderam justamente o contrário, que só assim deveria ser decidido quando razões bastantes o aconselhassem, como o tipo de personalidade do arguido, a gravidade do crime praticado e o alarme social provocado, perigo de continuação da actividade criminosa, entre outros elementos apurados no caso concreto. A redacção inicial do invocado normativo (artigo 8.º, n.ºs 2 e 3) não era suficientemente clara e, dada a não liquidez nesta matéria, a prática judicial também não era uniforme. Afinal, os dados genéticos de uma pessoa condenada nos termos acima enunciados têm necessária e inevitavelmente de fazer parte da base de dados de perfis de ADN? E, para isso, o tribunal que condena tem de ordená-lo sempre ou cabe-lhe a liberdade discricionária ‒ embora não arbitrária ‒ de, casuisticamente, assim decidir de acordo com uma ponderação de interesses a realizar no caso em apreço? Trata-se, por um lado, de uma questão de particular importância já que o património genético do condenado é um bem a ser salvaguardado, atenta a informação de que o ADN é portador de cada pessoa e dos bens jurídicos em potencial colisão por via de uma recolha imposta e, portanto, para a qual não tem relevância a falta de consentimento do visado. Por outro lado, trata-se de uma questão que envolve finalidades de prevenção criminal, desígnios de segurança comunitária a partir deste material genético que assim contribui para a criação, construção e manutenção de uma base de dados instrumental aos fins públicos de investigação e prossecução criminal. Fazemos uma incursão por várias decisões jurisprudenciais, onde vemos vertidas as diferentes posições sobre o tema, elencando os principais fundamentos jurídicos utilizados a favor e contra a obrigatoriedade da determinação judicial, passando pelo Acórdão n.º 333/2018, do Tribunal Constitucional, publicado no Diário da República n.º 152/2018, Série II, de 08/08. Findamos o percurso com o mais recente enquadramento normativo, resultante da nova redacção do artigo 8.º, dada pela Lei n.º 90/2017, de 22 de Agosto, que veio fixar a regra segundo a qual é sempre ordenada na sentença a recolha de amostra biológica dos condenados em pena de prisão igual ou superior a três anos, por crimes dolosos, e dos arguidos declarados inimputáveis a quem sejam aplicadas medidas de segurança de internamento, mesmo que as sanções sejam suspensas na sua execução, com a correspondente inserção do perfil de ADN na base de dados. | pt_PT |
dc.identifier.citation | Guimarães, A. P. (2020). Entre a segurança e a liberdade: A introdução do perfil de ADN do condenado na base de dados. Revista Diálogos Possíveis, 19(1), 266-279. Disponível no Repositório UPT, http://hdl.handle.net/11328/3310 | pt_PT |
dc.identifier.issn | 2447-9047 | |
dc.identifier.uri | http://hdl.handle.net/11328/3310 | |
dc.language.iso | por | pt_PT |
dc.peerreviewed | yes | pt_PT |
dc.publisher | UNISBA | pt_PT |
dc.relation.publisherversion | http://revistas.unisba.edu.br/index.php/dialogospossiveis/article/view/634/451 | pt_PT |
dc.rights | open access | pt_PT |
dc.rights.uri | http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ | pt_PT |
dc.subject | Segurança | pt_PT |
dc.subject | Liberdade | pt_PT |
dc.subject | Base de dados de ADN | pt_PT |
dc.subject | Investigação criminal | pt_PT |
dc.subject | Condenação | pt_PT |
dc.title | Entre a segurança e a liberdade: A introdução do perfil de ADN do condenado na base de dados | pt_PT |
dc.title.alternative | Between security and freedom: the introduction of the convicted's DNA profile in the database | pt_PT |
dc.type | journal article | pt_PT |
degois.publication.firstPage | 266 | pt_PT |
degois.publication.issue | 1 | pt_PT |
degois.publication.lastPage | 279 | pt_PT |
degois.publication.location | Salvador-Bahia | pt_PT |
degois.publication.title | Revista Diálogos Possíveis | pt_PT |
degois.publication.volume | 19 | pt_PT |
dspace.entity.type | Publication | en |
person.affiliation.name | IJP - Instituto Jurídico Portucalense | |
person.familyName | Guimarães | |
person.givenName | Ana Paula | |
person.identifier.ciencia-id | DF1E-48BE-F547 | |
person.identifier.orcid | 0000-0002-0813-4789 | |
person.identifier.rid | H-1779-2016 | |
person.identifier.scopus-author-id | 57208149138 | |
relation.isAuthorOfPublication | 3b104e7a-307c-4844-9f9b-a4332295f7d3 | |
relation.isAuthorOfPublication.latestForDiscovery | 3b104e7a-307c-4844-9f9b-a4332295f7d3 |
Files
Original bundle
1 - 1 of 1
Loading...
- Name:
- ARTIGO REVISTA DIALOGOS POSSIVEIS_BASE DADOS ADN DOS CONDENADOS.pdf
- Size:
- 339.01 KB
- Format:
- Adobe Portable Document Format